terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Pink Floyd - The Wall (1979)

No início do ano de 1979, os Pink Floyd começaram a preparar o sucessor de Animals. Roger Waters (baixo, voz) envolveu-se totalmente na criação de uma obra intensa e obscura que considerava ser o maior projecto do grupo até à data. Ambicioso e complexo, The Wall girava em torno da vida do conflituoso protagonista Pink, desde a infância até à idade adulta. A história começava nos tempos de criança de Pink, na altura em que este perdia o pai na segunda guerra mundial, passando pela humilhação e intimidação na escola por parte dos rígidos professores, até à sua ascensão a estrela de rock e vivência promíscua, para se centrar na decadência, alienação e descontrolo, despoletados por todos estes elementos. Durante este processo, Pink vai erguendo uma parede metafórica que o vai afastando cada vez mais da sociedade, até à total reclusão. Musicalmente, o álbum assume uma postura de rock-ópera, combinando os habituais efeitos especiais que caracterizavam os Pink Floyd, com um dramatismo muito teatral que acompanha a história. A bateria de Nick Mason soa clara e poderosa ao lado da solidez reconhecida das linhas de baixo de Roger Waters, enquanto que as guitarras de David Gilmour carregam a habitual mistura de blues e ambientes etéreos, e Richard Wright (teclas) acrescenta várias texturas interessantes. Do primeiro disco (o mais mexido) saiu um dos singles mais conhecidos e contagiosos do grupo, Another Brick in the Wall, Pt. 2, marcado pelos versos provocadores anti-educação e pelo estridente coro de crianças. Mas Another Brick in the Wall, Pt. 2 é apenas mais um tijolo nesta parede que se vai erguendo, e que mantém Pink nas trevas até ao julgamento emocional (Trial), a seguir ao qual a parede finalmente se desmorona. The Wall continha vários pormenores de natureza autobiográfica relacionados com Waters que, quando combinados com frases como "I've got amazing powers of observation..." de Nobody Home, lhe conferiam um perigoso nível de narcisismo, devido a falta de clareza na definição da fronteira entre realidade e ficção. Bem definidos estavam os atritos entre Wright e Waters, acentuados com a acusação de falta de contribuição musical e de interesse no grupo que recaía sobre Wright, e que culminaria no seu despedimento. Num período difícil na vida dos Pink Floyd, The Wall foi recebido de forma maioritariamente positiva pela crítica. Mas a verdadeira surpresa (ou não) surgiria com a estrondosa e arrebatadora recepção ao álbum por parte do público. The Wall tornar-se-ia num dos maiores sucessos comerciais e criativos dos Pink Floyd, colocando-os no topo do mundo, ao mesmo tempo que quebraria recordes de vendas universais.

Faixas:

(Disco 1)


1. In the Flesh?
2. Thin Ice
3. Another Brick in the Wall, Pt. 1
4. Happiest Days of Our Lives
5. Another Brick in the Wall, Pt. 2
6. Mother
7. Goodbye Blue Sky
8. Empty Spaces
9. Young Lust
10. One Of My Turns
11. Don't Leave Me Now
12. Another Brick In The Wall
13. Goodbye Cruel World

(Disco 2)

1. Hey You
2. Is There Anybody Out There?
3. Nobody Home
4. Vera
5. Bring the Boys Back Home
6. Comfortably Numb
7. The Show Must Go On
8. Hey You
9. Is There Anybody Out There?
10. Nobody Home
11. Vera
12. Bring the Boys Back Home
13. Comfortably Numb
14. Show Must Go On
15. In the Flesh
16. Run Like Hell
17. Waiting for the Worms
18. Stop
19. Trial
20. Outside the Wall

Estilos:
Pop-Rock, Art-Rock, Hard-Rock, Folk-Rock.

Avaliação:*****

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Jethro Tull - Stormwatch (1979)

A atravessar momentos de aclamação e forma elevados, os Jethro Tull voltaram a entrar em estúdio em 1979, cumprindo o ritual de lançar um disco por ano, desde a sua formação em 1968. As gravações não começaram da melhor maneira, tendo o baixista John Glascock sido aconselhado a descansar em casa, após três temas gravados, devido à visível fragilidade que o seu estado de saúde apresentava. Para o substituir de forma temporária, Ian Anderson (voz, flauta, guitarra acústica) ofereceu-se para o lugar. O álbum resultante, Stormwatch, rumava para longe da energia e doçura campestre dos discos anteriores, adoptando uma postura mais negra e distante. North Sea Oil começa em tom político, criticando a sociedade e a sua obsessão com o petróleo, num tema a médio tempo que conta, ainda assim, com percussão frenética e estridentes solos de guitarra e flauta. Os dramáticos acordes que iniciam Orion servem de contraste eficaz ao corpo do tema, rico em elegantes e melódicas passagens, onde se destacam o piano de John Evan (teclas) e os arranjos orquestrais de David Palmer (teclas). A gentileza folk introduzida por Home parece querer transportar o álbum para ambientes mais calmos, mas o longo épico Dark Ages cedo revela o espírito obscuro que predomina em Stormwatch. Estes "tempos negros", com toques de ficção científica e riffs hard-rock, surgem em distintas secções que variam entre o interessante e o repetitivo. O tema instrumental Warm Sporran traz de novo alguma cor e animação ao álbum, que é posteriormente vítima da falta de ideias e melodias convincentes de Something's on the Move e Old Ghosts. A gentil composição folk Dun Ringill e a épica Flying Dutchman são razoavelmente competentes, mas a verdade é que quase tudo no disco é ofuscado pela beleza imediata, melancolia e simplicidade do tema de encerramento, Elegy. Da autoria de David Palmer, a composição cria um ambiente de inspiração clássica, com melodias circulares de guitarra, piano, flauta e sintetizadores. Um álbum algo dissonante e pouco coerente, Stormwatch foi recebido com apatia pelos críticos, embora quase atingisse o top 20 das tabelas discográficas em Inglaterra e nos Estados Unidos. Mas nada prepararia o grupo para as trágicas notícias que chegavam durante a digressão de apoio, anunciando a morte de John Glascock, em casa, vítima de doença cardíaca. Pouco depois, no meio de controvérsias nos jornais, acontecia a debandada. Barriemore Barlow (bateria), John Evan e David Palmer abandonavam os Jethro Tull, assinalando o fim de uma era e qualidade musical irrepetíveis. Entretanto, Ian Anderson e Martin Barre (guitarra) reformaram o grupo e continuaram a carreira, gravando discos com bastante menos frequência, até aos dias de hoje.


Faixas:
1. North Sea Oil
2. Orion
3. Home
4. Dark Ages
5. Warm Sporran
6. Something's on the Move
7. Old Ghosts
8. Dun Ringill
9. Flying Dutchman
10. Elegy

Estilos:
Folk-Rock, Hard-Rock, Art-Rock, Classical.

Avaliação:***1/2

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Emerson, Lake & Palmer - Love Beach (1978)

Desde o regresso aos discos em 1977, após pausa de três anos, o trio Emerson, Lake & Palmer parecia estar a virar as costas ao sucesso. Na digressão de apoio a Works Volume I, o grupo, por sugestão de Keith Emerson (teclas), resolveu efectuar uma série de espectáculos acompanhado de uma orquestra, para que se pudesse reproduzir o tema Piano Concerto No. 1. Embora as actuações tenham funcionado relativamente bem do ponto de vista musical, foram extremamente prejudiciais para a saúde financeira do grupo, forçando-os a contrair dívidas inesperadas. Quando a última coisa que o grupo queria fazer era gravar um novo disco, a companhia discográfica pressionou a banda em sentido contrário até aos limites. O grupo acabou por ceder e voou para as Bahamas onde gravou o álbum Love Beach. Love Beach faz jus ao nome e começa com romantismo, mais lírico do que musical, com um trio de temas, All I Want Is You, Love Beach e Taste of My Love, da autoria musical de Greg Lake. All I Want Is You mostra alguns interessantes toques pop, e Love Beach mostra energia suficiente para fazer com que Taste of My Love soe a interrupção abrupta do ritmo inicial. Nas letras, como era hábito, aparecia Peter Sinfield, revelando-se uma pálida imagem do criador do poderoso imaginário dos tempos de King Crimson. Entre alguns pormenores interessantes na balada For You, na mexida cover do tema Canario (do compositor clássico espanhol Joaquín Vidre), e umas quantas secções de interesse na suite Memoirs of an Officer and a Gentleman, o álbum apresenta pouca emoção genuína. Outra coisa não seria de esperar, tendo em conta as circunstâncias desfavoráveis, agravadas pela crescente deterioração das relações entre os músicos. Ainda assim, entre a falta de alma e convicção, o álbum consegue ser mais coeso do que qualquer disco Works. No seu lançamento, Love Beach foi ridicularizado pelos críticos, aproveitando a deixa da capa absolutamente horrorosa (Emerson com calças apertadinhas, Greg com camisa amarrada na zona do abdómen, e muitos pelos do peito à vista). Como se podia prever, o trio não resistiria a tamanho falhanço criativo, optando por terminar de forma algo inglória, no mesmo ano, uma brilhante carreira.

Faixas:
1. All I Want Is You
2. Love Beach
3. Taste of My Love
4. Gambler
5. For You
6. Canario
7. Memoirs of an Officer and a Gentleman

Estilos:
Pop-Rock, Art-Rock, Symphonic-Rock.

Avaliação:***

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Gentle Giant - Giant For A Day (1978)

Se The Missing Piece representou a entrada dos Gentle Giant no mundo pop, Giant For A Day! mergulhou mais fundo até atravessar o ponto sem retorno, marcando o divórcio do grupo com o rock progressivo e experimental. A banda encontrava-se num impasse criativo e a construção de temas mais lineares parecia ser a única alternativa. O problema é que, para atingir esta simplicidade, o grupo retraía-se musicalmente e perdia a naturalidade. O álbum é uma colecção de canções que não nos levam a nenhum sítio em especial e que primam pela ligeireza. Temas como Giant For A Day e Take Me mostram a banda a enveredar por terreno new-wave, contrastando acentuadamente com peças acústicas mais sentimentais como Thank You ou Friends. Do pop animado de Words From The Wise, passando pelo rock & roll inconsequente de Little Brown Bag e Rock Climber, até à balada melancólica It's Only Goodbye, contam-se as ideias pouco convincentes e deprimentes. Pouco objectivo, desconfortável e desorientado, o álbum Giant For A Day! exibia apenas uma pequena amostra de pormenores musicais a salvar a decrescente reputação dos músicos. De resto, a ideia de tornar o grupo mais comercial e acessível começava a ter o efeito exactamente contrário, custando ao grupo muitos dos fiéis seguidores, ao mesmo tempo que não conquistava o mercado mais comercial definido como alvo.

Faixas:
1. Words from the Wise
2. Thank You
3. Giant for a Day
4. Spooky Boogie
5. Take Me
6. Little Brown Bag
7. Friends
8. No Stranger
9. It's Only Goodbye
10. Rock Climber

Estilos:
Pop-Rock, Folk-Rock, New-Wave, Art-Rock.

Avaliação:**1/2

domingo, 1 de Novembro de 2009

Yes - Tormato (1978)

Após a reunião, no ano anterior, do alinhamento clássico dos Yes, e uma digressão bastante bem sucedida, os mesmos músicos voltaram a entrar em estúdio em 1978 para gravarem Tormato. O resultado foi algo muito diferente do que os fãs esperavam. Definitivamente não parecia a mesma banda que gravara Going For The One. Desinspirado, com maus arranjos e letras pouco convincentes, Tormato trouxe os Yes para o terreno da mediocridade. Em primeiro lugar a escolha dos sons de sintetizador por parte de Rick Wakeman (teclas) atormentam o disco e ajudam a sentenciar negativamente várias canções. Depois, Jon Anderson (voz) faz uma duvidosa escolha de temas para letras como o hino para salvar as baleias (Don't Kill The Whale), o avistamento de um ovni (Arriving UFO), ou sobre o dia em que o circo veio à cidade (Circus Of Heaven), onde até o seu pequeno filho tem algo a dizer. O resto é a imagem de uma banda perdida e muito indecisa em relação à direcção musical a seguir. Release, Release ainda consegue levar o grupo a algum lado, com a sua vivacidade e ritmo alucinante, mas perde-se irremediavelmente com toda a cacofonia que o rodeia. Tanto o ambiente clássico com cravo eléctrico em Madrigal, como os dois temas mais espirituais, Onward e On the Silent Wings of Freedom, mantêm alguma ligação com o passado do grupo, mas, nesta altura, a autenticidade já andava longe. O forte sentido melódico dos Yes ainda consegue fazer com que o álbum seja audível, mas é difícil perdoar todos os erros que o grupo comete. Incrivelmente, o disco conseguiu atingir o "top ten" em vários países, enquanto a banda era ferozmente atacada pela crítica. Jon Anderson e Rick Wakeman, descontentes com o resultado musical, abandonaram o grupo, parecendo anunciar o fim da banda britânica. Mas as pressões da indústria musical e as motivações financeiras impediram que tal acontecesse, tendo o grupo continuado com várias encarnações e diferentes graus de sucesso até aos dias de hoje.

Faixas:
1. Future Times / Rejoice
2. Don't Kill the Whale
3. Madrigal
4. Release Release
5. Arriving UFO
6. Circus of Heaven
7. Onward
8. On the Silent Wings of Freedom

Estilos:
Art-Rock, Folk-Rock, Pop-Rock.

Avaliação:***

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Van der Graaf - Vital (1978)

Em 1978, os Van der Graaf continuavam a atravessar dificuldades e a lutar pela sobrevivência. Como sempre, o grupo via-se obrigado a fazer longas séries de concertos que serviam (quase) apenas para o sustento. Na altura de partir para a digressão de apoio a The Quiet Zone/The Pleasure Dome, o grupo decidiu que beneficiaria de mais um membro, tendo a vaga sido preenchida pelo violoncelista Charles Dickie. Mas sem os omnipresentes solos dos ex-membros Hugh Banton (teclas) e David Jackson (saxofones, flauta), e dada a recente adopção da guitarra eléctrica por parte de Peter Hammill (voz, guitarra, piano), o estilo musical dos Van der Graaf ao vivo já estava irremediavelmente desviado para os riffs simples e agressivos da guitarra eléctrica com distorção. O facto acabou por ajudar o grupo a proteger-se contra a energia e simplicidade do movimento punk e new wave que emergia no panorama pop. Com Hamill a conduzir na guitarra eléctrica, Graham Smith e Charles Dickie nas cordas acústicas (violino e violoncelo) e a autoritária secção rítmica constituída por Nic Potter (baixo) e Guy Evans (bateria), a banda transformou-se numa poderosa e ameaçadora potência musical em concerto. O álbum ao vivo, Vital, capturou perfeitamente essa energia, revelando todos os decibéis e nuances dos concertos de 1978. Começando com temas (Ship of Fools, Still Life, Last Frame) da segunda fase da carreira (pós 1975), que sofrem uma injecção de energia hard-rock, o resultado é surpreendente. Claro que o grupo não deixa de recordar o passado mais progressivo nas interpretações de A Plague of Lighthouse Keepers, Pioneers Over C, e Killer, e fá-lo com aventureiros arranjos que dão nova vida às canções. Pelo meio, Hammill inclui dois temas da sua carreira a solo, Mirror Images e Nadir's Big Chance, que encaixam perfeitamente no contexto sonoro dos Van der Graaf. Uma das curiosidades da digressão de 1978 foi o regresso inesperado de David Jackson, que aceitou um convite de Hammill para regressar, se bem que o saxofonista perca bastante terreno para o violino e guitarra. Outro aspecto impressionante é o pouco público audível nos concertos, parecendo quase que a banda está a tocar em frente a poucas dezenas de pessoas. Para os que não assistiram aos concertos, Vital serviu como meio de imortalizar a revolucionária digressão do fim da década e mostrar o lugar distinto que a banda ocupava na música. Sempre a remar contra a maré, o grupo não conseguiu resistir às fracas vendas do disco, por muitos elogios que recebesse da crítica. Pouco depois do lançamento de Vital, os Van der Graaf colocariam um ponto final numa carreira recheada de incontornáveis contribuições para a música.

Faixas:

Disco 1
1. Ship of Fools
2. Still Life
3. Last Frame
4. Mirror Images
5. Medley: A Plague of Lighthouse Keepers/The Sleepwalkers

Disco 2
1. Pioneers Over C
2. Sci-Finance
3. Door
4. Urban/Killer/Urban
5. Nadir's Big Chance

Estilos:
Art-Rock, Hard-Rock, Progressive-Rock.

Avaliação:*****

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Jethro Tull - Bursting Out (1978)

Numa banda onde os concertos eram sinónimo de excentricidade, musicalidade e diversão, dez anos depois do início da carreira, fazia falta um documento oficial ao vivo. Gravado na digressão de apoio a Heavy Horses, a compilação Bursting Out reunia a aguardada amostra das performances do grupo. Se bem que a ênfase recaia na nova fase folk dos Jethro Tull, entre 1977 e 1978 (No Lullaby, Jack In The Green, Songs From The Wood, Hunting Girl, One Brown Mouse), a banda não perde oportunidade de revisitar resumidamente o clássico Thick As A Brick, ou até abordar o popular Aqualung (Cross Eyed Mary, Aqualung, Locomotive Breath). O sexteto composto por Ian Anderson (voz, flauta, guitarra), Martin Barre (guitarra), John Evan (teclas), David Palmer (teclas), Barriemore Barlow (bateria) e John Glascock (baixo), é imaginativo, descarado, e talentoso, mostrando o porquê da tremenda reputação ao vivo. Entre as piadas de Ian Anderson, as variadas incursões instrumentais (Conundrum, Flute Solo(Medley), Quatrain), a pausa de David Palmer para ir à casa de banho, não faltam momentos de entretenimento. Os temas aparecem algo transformados, quer seja pelos novos arranjos instrumentais, quer pelo "novo" timbre e estilo vocal que caracterizava Ian Anderson na altura. Mesmo pecando ligeiramente pelas grandes canções que ficaram de fora, o álbum consegue ser um equilibrado e dinâmico testemunho do que o grupo fazia de melhor. Medianamente recebido pela crítica e público, Bursting Out foi vítima do crescente desinteresse pelo rock progressivo, que aumentava à medida que a década se aproximava do fim.

Faixas:

Disco 1

1. Introduction By Claude Nobs
2. No Lullaby
3. Sweet Dream
4. Skating Away (On The Thin Ice Of The New Day)
5. Jack In The Green
6. One Brown Mouse
7. A New Day Yesterday
8. Flute Solo Improvisation/God Rest Ye Merry Gentlemen/Bouree (Medley)
9. Songs From The Wood
10. Thick As A Brick

Disco 2
1. Introduction By Ian Anderson
2. Hunting Girl
3. Too Old To Rock 'N' Roll
4. Conundrum
5. Minstrel In The Gallery
6. Cross Eyed Mary
7. Quatrain
8. Aqualung
9. Locomotive Breath
10. The Dambusters March

Estilos:
Art-Rock, Progressive-Rock, Folk-Rock, British-Folk, Hard-Rock, World Music.

Avaliação:****1/2

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Jethro Tull - Heavy Horses (1978)

O renascer criativo dos Jethro Tull, por intermédio de Songs From The Wood, em 1977, voltou a colocar a fasquia da expectativa num patamar elevado, no que dizia respeito a julgar os discos sucessores. Um ano depois, o grupo gravou Heavy Horses, mantendo a mistura de folk tradicional com o rock progressivo. Embora no papel a opção parecesse roçar conceitos idênticos, na realidade o grupo mudou substancialmente a perspectiva, tanto a nível musical, como do imaginário, assumindo um postura mais terra-a-terra. And The Mouse Police Never Sleeps abre a aventura com Ian Anderson (voz, flauta, guitarra acústica) no seu apaixonado timbre vocal grave e "rouco" (pós 1976). Ao lado de dinâmicos solos de flauta e órgão (David Palmer e John Evan) que criam texturas de notável beleza, o tema culmina num engraçado engasgo, após a repetição do título até à exaustão. Segue-se Acres Wild, que apresenta uma propulsiva mistura de guitarra acústica e eléctrica, gaita de foles, violino, e flauta, aliada a um campestre e charmoso imaginário romântico. A percussiva introdução de No Lullaby exibe a expressividade e categoria de Barriemore Barlow (bateria), ao lado das linhas de baixo de John Glascock (baixo) que ecoam no silêncio. No tema, o grupo abandona, por momentos, o imaginário rural, para entrar em território de hard-rock, com tons etéreos, e criar interessantes sequências de guitarra (Martin Barre), bateria e baixo. Moths é pura beleza, com os seus apelativos riffs de guitarra acústica acompanhados pelo bombo de Barlow e belos arranjos orquestrais (cortesia de David Palmer). Journey Man assenta num groove marcado pelo baixo de Glascock, complementado por curiosos floreados de flauta, guitarra e teclas. Rover é mais um dos brilhantes exemplos da riqueza de texturas que a dupla de teclas, John Evan e David Palmer, Ian Anderson na flauta e Martin Barre na guitarra eléctrica, conseguem produzir. Depois de mais um momento de elegância e encanto, One Brown Mouse, chega a composição que dá título ao disco. O delicado início de Heavy Horses, pautado pela voz de Anderson que aparece acompanhada por gentis passagens de piano de John Evan, anuncia um dos grandes épicos do álbum, desdobrando-se em várias fases, enquanto apresenta uma imagem comovente do imaginário equestre. Heavy Horses, tal como Acres Wild, contam com a valiosa participação de Darryl Way, o músico convidado que acrescenta o seu talento no violino. Weathercock termina o disco com o espírito que o caracteriza, espalhando a beleza dos arranjos e empenhando a admiração para com a natureza. Uma exibição em pleno da excelente forma e capacidade técnica dos Jethro Tull, Heavy Horses (o álbum) voltou a ser muito bem recebido pela crítica e pelos fãs, garantindo ao grupo a presença em lugares generosos das tabelas discográficas por todo o mundo.

Faixas:
1. ...And The Mouse Police Never Sleeps
2. Acres Wild
3. No Lullaby
4. Moths
5. Journey Man
6. Rover
7. One Brown Mouse
8. Heavy Horses
9. Weathercock

Estilos:
Folk-Rock, British Folk, Art-Rock

Avaliação:*****

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Genesis - ...And Then There Were Three... (1978)

Quando Steve Hackett anunciou a saída dos Genesis, o grupo parecia ter em braços a difícil missão para encontrar um substituto. A verdade é que a banda nem sequer chegou a lançar audições para encontrar um novo guitarrista, tendo antes optado por continuar como um trio. Phil Collins (voz, bateria), Tony Banks (teclas), e Mike Rutherford (baixo, guitarra), gravaram o álbum, sugestivamente intitulado '...And Then There Were Three...', que marcou um ponto de viragem musical. Parte desta mudança foi forçada, já que a perda de músicos reduzia o número de virtuosos e favorecia a simplificação das composições. O tema de abertura, Down and Out, que não contrasta muito com o passado, é alimentado por um ritmo peculiar no qual assentam várias texturas de guitarra e interessantes solos de sintetizador. Tony Banks compôs vários temas sozinho, e aparece particularmente inspirado na composição de baladas como Undertow e Burning Rope, que atingem momentos de grandeza e equilíbrio. Por outro lado, Many Too Many, também da autoria de Banks, é mais uma balada a juntar às de Mike Rutherford, Snowbound e Say It's Alright Joe, que vão injectando soporíferos no ritmo do disco. Pelo meio surgem alguns épicos mornos na forma de Deep In The Motherload, Lady Lies, e a juvenil Scenes from a Night's Dream, a trazer mais movimento sonoro. Mike Rutherford, para além de tocar baixo, encarrega-se das partes de guitarra, mostrando-se um guitarrista mediano, com ocasionais bons apontamentos. A fechar o álbum, Follow You Follow Me revelava-se como um dos singles mais contagiosos que o grupo havia lançado até à altura, projectando os Genesis nas tabelas de singles mundiais. Um dos aspectos mais evidentes neste período, para além do facto do grupo começar a enveredar por uma linha musical mais tradicional, era a notória e crescente dificuldade que os Genesis tinham em escrever letras. Muitas das sugestões musicais são por vezes banalizadas devido às ideias incompletas, exageradamente românticas, ou com falta de conteúdo. Apesar disso, a banda parecia estar a ganhar apelo comercial, com o álbum a atingir posições de respeito nas tabelas de discos mundiais.

Faixas:
1. Down and Out
2. Undertow
3. Ballad of Big
4. Snowbound
5. Burning Rope
6. Deep in the Motherlode
7. Many Too Many
8. Scenes from a Night's Dream
9. Say It's Alright Joe
10. Lady Lies
11. Follow You Follow Me

Estilos:
Pop-Rock, Art-Rock, Folk-Rock, Symphonic-Rock

Avaliação:***1/2

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Strawbs - Deadlines (1977)

A indiferença com que Burning For You foi recebido, custou à banda um contrato discográfico. Em menos de nada, os Strawbs assinavam por uma nova editora e entravam em estúdio para gravar um novo disco. Entretanto, a hora havia chegado para o baterista Rob Coombes, que partia para ser substituído por Tony Fernandez. Ao grupo juntava-se também, nas teclas, John Mealing, que havia participado no disco anterior. As mudanças sonoras, essas, eram ligeiras, estando os Strawbs mergulhados no mundo das baladas e arriscando menos do que era preciso no campo da produção. Por outro lado, a verdade é que continuavam a criar canções com refrões fortes, graças à equipa de composição constituída por Dave Cousins (voz, guitarra acústica), Dave Lambert (voz, guitarras) e Chas Cronk (baixo). Os acordes de sintetizador, no início de No Return, abrem caminho à dinâmica e dramática balada, interpretada por Dave Lambert. Segue-se o pop-rock contagioso de Joey and Me onde Cousins mostra a sua veia de contador de histórias. Sealed With a Traitor's Kiss assume um crescendo, elegantemente acompanhado por piano, que culmina nas emocionantes secções onde Cousins aumenta o tom de voz. O território soft-rock de I Don't Want To Talk About It mostra Lambert numa interessante interpretação vocal, antes de, em Last Resort, o voltarmos a ouvir, desta vez nos expressivos licks de guitarra eléctrica, ao lado dos apelos de Dave Cousins. Time And Life funciona bastante bem, numa misteriosa e obscura evocação, com o seu peculiar ritmo e efeitos electrónicos. Depois de mais uma competente balada, New Beginnings, o disco entra na fase final, algo experimental, com o ambiente gótico e místico de Deadly Nightshade, e os cenários fantasmagóricos construídos pela épica Words of Wisdom. Um curioso fim de álbum que relembrava os tempos de rock progressivo dos Strawbs do passado, mas com uma nova alma. Na altura do seu lançamento, para mal do grupo, o álbum Deadlines foi ignorado. O grupo ainda tentaria gravar outro disco, mas entre a falta de apoios e energia para o fazer, os Strawbs colocariam um ponto final na carreira.

Faixas:
1. No Return
2. Joey and Me
3. Sealed With a Traitor's Kiss
4. I Don't Want to Talk About It
5. Last Resort
6. Time and Life
7. New Beginnings
8. Deadly Nightshade
9. Words of Wisdom

Estilos:
Pop-Rock, Folk-Rock, Soft-Rock, Art-Rock.

Avaliação:***1/2

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Emerson, Lake & Palmer - Works Volume 2 (1977)

Pouco tempo após o decepcionante Works Volume 1, a companhia discográfica da banda decidia lançar Works Volume 2. A ideia de compilar as composições que haviam ficado de fora de Volume 1 (e alguns lados b) parecia perigosa no papel, e quando a sua edição se concretizou, os receios confirmaram-se. O segundo capítulo de Works mantém a má relação entre os temas, sendo esquizofrénico quanto baste, e mostrando vários momentos de pouca forma do trio Emerson, Lake & Palmer. Prevalece a orientação individualista nos autores das composições, desta vez não declarada, sendo perfeitamente distinguíveis as baladas de Greg Lake (Watching Over You, I Believe in Father Christmas, e Show Me the Way to Go Home), o funk e fusão de Carl Palmer (Bullfrog e Close But Not Touching), as experiências blues, jazz e honky tonk de Keith Emerson (Barrelhouse Shake-Down, Maple Leaf Rag, e Honky Tonk Train Blues), e os algo atabalhoados registos colectivos (Tiger in a Spotlight, When the Apple Blossoms..., Brain Salad Surgery, e So Far To Fall). Mesmo entre bons pormenores como na mexida Bullfrog, na balada I Believe In Father Christmas, e nos divertidos temas de Keith Emerson, não se conseguia ignorar o afastamento musical e criativo que afectava o trio. Este afastamento traduz-se na evidente falta de identidade e desorientação musical do álbum. Recebido de forma morna, Works Volume 2 ainda conseguiu alguma visibilidade, muito por culpa da considerável popularidade do grupo.

Faixas:
1. Tiger in a Spotlight
2. When the Apple Blossoms Bloom in the Windmills of Your Mind I'll Be Your Valentine
3. Bullfrog
4. Brain Salad Surgery
5. Barrelhouse Shake-Down
6. Watching Over You
7. So Far to Fall
8. Maple Leaf Rag
9. I Believe in Father Christmas
10. Close But Not Touching
11. Honky Tonk Train Blues
12. Show Me the Way to Go Home

Estilos:
Art-Rock, Folk-Rock, Jazz, Blues, Classical.

Avaliação:***

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Genesis - Seconds Out (1977)

Os Genesis pós-Peter Gabriel continuavam imensamente populares, e a ideia de documentar esta nova vida, mais propriamente a digressão de apoio a Wind & Wuthering, ganhou forma através de uma compilação dos espectáculos sob o título Seconds Out. À imagem dos ambientes de contos de fadas, que abundavam nos discos dos Genesis, os espectáculos foram dominados por esse imaginário misterioso e sedutor. O receio de ouvir Phil Collins (voz, bateria) a cantar temas da era "Gabriel" como The Carpet Crawlers, I Know What I Like, ou Cinema Show, é imediatamente posto de lado face às categóricas prestações de Collins. E quando Phil toma as rédeas de um dos maiores clássicos dos Genesis, Supper's Ready, é impossível ficar indiferente aos seus interessantes adlibs e flexibilidade vocal. Para auxiliar Phil Collins na bateria, de modo a que este se pudesse concentrar mais na parte vocal, o grupo recrutou bateristas notáveis como Chester Thomson (ex colaborador de Frank Zappa) e Bill Bruford (ex-membro dos Yes e dos King Crimson). O álbum acaba por ser uma boa amostra da magia que estes três bateristas - Chester, Phil, e Bill - conseguem produzir. Chester toca a quase totalidade dos temas, sendo acompanhado ocasionalmente por Phil. Firth Of Fifth, que aparece aqui sem a fantástica abertura de piano, mostra Collins e Thomson em perfeita combinação na bateria, ao som de belos solos de guitarra (Steve Hackett) e sintetizadores (Tony Banks). Bruford, por sua vez, empresta o seu inconfundível timbre de tarolas e mestria na bateria à movimentada versão de Cinema Show. Como sempre, Tony Banks está na linha da frente no que diz respeito a colorir os temas com os mais variados arranjos e texturas, sendo seguido de perto por Steve Hackett. A solidez do baixo de Mike Rutherford completa este dinâmico conjunto sonoro. Quer seja num medley ou numa canção integral, o grupo interpreta passagens musicais que vão desde 1970 (Trespass) até 1976 (Wind & Wuthering). As gravações sofrem de alguma timidez em volume e clareza, não fazendo por vezes justiça à qualidade das prestações. Antes do disco ser lançado, o guitarrista Steve Hackett, para choque dos fãs, anunciaria o abandono do grupo, alegando divergências musicais e falta de liberdade criativa. Sem tempo para se gerarem rumores sobre o fim dos Genesis, a banda revelou prontamente a vontade de prosseguir como um trio, ao mesmo tempo que Seconds Out atingia o número 4 nas tabelas do Reino Unido.

Faixas:

Disco 1
1. Squonk
2. The Carpet Crawlers
3. Robbery Assault & Battery
4. Afterglow
5. Firth of Fifth
6. I Know What I Like (In Your Wardrobe)
7. Lamb Lies Down on Broadway
8. Musical Box (Closing Section)

Disco 2
1. Supper's Ready
2. Cinema Show
3. Dance on a Volcano
4. Los Endos

Estilos:
Art-Rock, Symphonic-Rock, Folk-Rock, Progressive-Rock.

Avaliação:****1/2

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Gentle Giant - The Missing Piece (1977)

O longo percurso dos Gentle Giant na música, a saturação criativa e os problemas financeiros, estiveram na origem de transformações musicais. Depois do álbum In'terview, que parecia assinalar uma queda de qualidade, a banda alterou a postura e resolveu simplificar tudo em The Missing Piece. O disco começa com o pop-rock divertido de Two Weeks In Spain, onde Derek Shulman (voz) carrega no sotaque britânico pela primeira vez na carreira. Mudando completamente o contexto, as surpresas continuam com I'm Turning Around, a primeira balada romântica do grupo, e depois com o hard-rock directo de Betcha Thought We Couldn't Do It. Mantendo o carácter ecléctico, o álbum entra numa fase de funk, primeiro com a mais descontraída Who Do You Think You Are? e depois com a pontuação acelerada de Mountain Time acompanhada por coros femininos. Mas os ambientes art-rock e folk, típicos dos Gentle Giant, não se extinguiram completamente, mostrando-se por intermédio das explorações de As Old as You're Young e Memories of Old Days. O tema Winning, rico em efeitos de percussão, volta a subir o ritmo do disco, no meio de melodias dissonantes. O álbum termina com a energia em alta de For Nobody, voltando a realçar a simplicidade em detrimento dos elaborados temas épicos do passado. De facto, todo o disco parecia querer ser o mais directo possível e dar menor prioridade a uma interlocução elaborada entre os músicos. Isto não queria dizer que Gary Green (guitarra) não estivesse em grande plano nos solos, ou que a secção rítmica constituída por John Weathers (bateria) e Ray Shulman (baixo) não demonstrasse a precisão habitual, ou que Kerry Minnear (teclas) e Derek Shulman assinassem prestações menores. O problema é que The Missing Piece não conseguia deixar de parecer forçado no seu conceito, por mais diversão e variedade musical que exibisse.

Faixas:
1. Two Weeks in Spain
2. I'm Turning Around
3. Betcha Thought We Couldn't Do It
4. Who Do You Think You Are?
5. Mountain Time
6. As Old as You're Young
7. Memories of Old Days
8. Winning
9. For Nobody
(bonus)
10. For Nobody (Live)

Estilos:
Pop-Rock, Folk-Rock, Funk, Art-Rock.

Avaliação:***1/2

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Van der Graaf - The Quiet Zone/The Pleasure Dome (1977)

O insucesso de World Record representou a gota de água no caldeirão de tensões dos Van der Graaf Generator. Os músicos quase não ganhavam para o sustento e a perspectiva de continuar neste rumo afastou Hugh Banton (teclas). No entretanto, o grupo recrutava Graham Smith (violino) e convencia o ex-membro e baixista Nic Potter (músico da banda durante o ano de 1970) a voltar. Após alguns ensaios, seria a vez de David Jackson (saxofones, flauta) abandonar o grupo, confuso com o rumo musical e cansado da vida na estrada. Sem dois músicos considerados fulcrais no som da banda britânica, Peter Hamill (voz, guitarra, piano), Smith, Potter e Guy Evans (bateria) gravaram The Quiet Zone/The Pleasure Dome. O trabalho exibia um nome para cada lado do disco de vinil, e apresentava a banda com o nome encurtado para Van der Graaf. Ouvindo Lizard Play, percebe-se imediatamente que as marcantes passagens de saxofone e órgão pertenciam ao passado, e davam lugar a uma dinâmica totalmente diferente que projectava o violino, o baixo e a bateria, na mistura sonora. No tema, Hammill soa confiante, como sempre, alternando o canto e a fala, e criando mais um provocante imaginário enfeitado com precisão por nuances instrumentais. O grupo dá alguma sequência a World Record no que toca a simplificar os temas e a incutir-lhes energia. As frequentes transições do tema a médio tempo, Habit of the Broken Heart, exemplificam esta orientação sonora mais vivaz. Seguem-se três baladas muito distintas em espírito - Siren Song numa comovente melancolia, Last Frame em tirada épica e dramática, e The Wave com a sua gentileza e elegância - e que mostram o tom peculiar e poético da escrita de Hammill. No meio desta calma aparece uma bomba sob a forma de Cat's Eye/Yellow Fever, onde Smith tira o máximo do seu estridente violino, Evans e Potter marcam um intenso ritmo que acompanha os histéricos crescendos, e onde Hammill não hesita em acrescentar mais caos com a sua inflamada performance vocal. Segue-se Sphinx in The Face, adoptando um provocador groove e letra, com interessante percussão e vozes. A mini-épica composição, Chemical World, também encanta com os seus ameaçadores efeitos vocais, entre belas sequências de violino e guitarra de inspiração oriental. O tema surge mesmo antes de uma curta reprise de Sphinx In The Face (Sphinx Returns) colocar um ponto final no disco. A mudança sonora radical, relacionada com as ausências de Banton e Jackson, foi bem recebida pelos críticos, mas não muito consensual nos fãs. Em boa verdade, Jackson não esteve totalmente ausente, já que participou como discreto convidado num par de temas do disco. Mas no que respeitava a vendas, pouco parecia mudar, facto que, ainda assim, não impediria o revigorado grupo de voltar a embarcar numa digressão mundial.

Faixas:
1. Lizard Play
2. Habit of the Broken Heart
3. Siren Song
4. Last Frame
5. The Wave
6. Cat's Eye/Yellow Fever (Running)
7. Sphinx in the Face
8. Chemical World
9. Sphinx Returns

Estilos:
Art-Rock, Folk-Rock, Progressive-Rock, World-Music.

Avaliação:*****

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Yes - Going For The One (1977)

Sem lançarem discos desde 1974, os Yes começaram a preparar o sucessor de Relayer na Suíça, em finais de 1976. As sessões não evoluiriam, no entanto, sem alguma polémica, já que Patrick Moraz, o teclista que havia substituído Rick Wakeman três anos antes, abandonaria o grupo. O músico, em aparente desacordo com os Yes, viria a ser substituído por... Rick Wakeman. Com o alinhamento clássico mais uma vez reunido, os Yes gravaram Going For The One, o oitavo disco de estúdio da carreira. O álbum abre com o animado tema que lhe dá título, onde a fantástica prestação de Steve Howe (guitarra) a tocar "slides" na guitarra lap steel, aparece acompanhada de uma banda omnipresente, como que a preencher todos os espaços para respirar até à libertação de tensão, que ocorre com a poderosa harmonia vocal, perto do fim. Em contraste com a energia e adrenalina do tema Going For The One, Turn Of The Century goza de uma liberdade e riqueza muito próprios. A composição encontra Jon Anderson (voz) numa emocionante interpretação, assente numa hipnotizante base de guitarra acústica (intercalada com eléctrica) e elegantes sequências de piano e sintetizador. Parallels abre com simples acordes de Wakeman em órgão de igreja, a conduzir e a marcar a propulsão do tema mais directo do disco. A pura beleza e o esoterismo de Wonderous Stories mostravam um mágico encanto que era terreno quase exclusivo dos Yes nos anos setenta. Este ambiente de folk místico, entre muitas texturas de guitarra acústica e floreados de sintetizador, é imaculadamente conduzido pela irresistível melodia da voz de Anderson. A terminar o álbum, um épico de 15 minutos: Awaken. A naturalidade da ideologia e a estrutura de Awaken conferem-lhe um imaginário e movimentação singulares. No tema não faltam os grandes solos de Howe e Wakeman, a solidez de Alan White (bateria) e Chris Squire (baixo), e a habitual entrega de Anderson, numa viagem com muitos silêncios, encantos e surpresas. Quando muitas bandas do género mostravam sinais evidentes de desgaste, os Yes exibiam uma forma e inspiração invejáveis. Lançado no Verão de 1977, o álbum atingiu o número 1 das tabelas britânicas e e top 10 nos Estados Unidos, mantendo a popularidade mundial do grupo em alta.

Faixas:
1. Going for the One
2. Turn of the Century
3. Parallels
4. Wonderous Stories
5. Awaken

Estilos:
Art-Rock, Folk-Rock, Progressive-Rock.

Avaliação:*****

sábado, 19 de Setembro de 2009

Strawbs - Burning For You (1977)

À medida que a década de setenta se aproximava do fim, os Strawbs perdiam progressivamente a visibilidade no panorama musical. Um ano depois de Deep Cuts, o grupo voltava a enveredar pelo mesmo tipo de sonoridade e produção. Mantendo o seu alinhamento reduzido a um quarteto, Dave Cousins (voz, guitarra acústica), Dave Lambert (voz, guitarras), Chas Cronk (baixo) e Rob Coombes (bateria), contaram, desta vez, com o apoio de dois teclistas em estúdio - John Mealing e Robert Kirby - nas gravações de Burning For You. A misteriosa Burning For Me abre o disco com uma versátil interpretação vocal de Cousins, por entre subtis arranjos de mellotron, piano, e orquestra. Cut Like a Diamond significava quase um regresso ao hard-rock, não fosse a produção ligeira acrescentar arranjos orquestrais que soam fora do contexto. A emocionante balada I Feel Your Loving Coming On vive da paixão com que Dave Lambert lhe dá voz e da vivacidade das suas transições rítmicas. Barcarole (For the Death of Venice) cria um ambiente surreal de vozes filtradas ecoando uma bela melodia. Os riffs contagiosos de Alexander The Great mostram o grupo em grande sintonia, entre pungentes linhas de baixo e bateria, acompanhadas pela agressividade da voz de Cousins. Os algo inconsequentes positivismo de Keep On Trying e conformismo de Back In The Old Routine, são seguidos pela mexida Heartbreaker com um ambiente "glam" construído por guitarras, mellotron e sintetizadores estridentes. A fechar o disco, tanto Lambert (Carry Me Home) como Cousins (Goodbye) interpretam baladas melancólicas que fazem com que Burning For You se vá extinguindo lentamente até ao silêncio. Alternando momentos competentes com outros de menor valia, mas principalmente graças à pouco ambiciosa produção (à semelhança do disco anterior), os Strawbs voltavam a marcar passo com Burning For You. Para piorar a situação, as fracas vendas do álbum deixariam a banda sem editora discográfica.

Faixas:
1. Burning for Me
2. Cut Like a Diamond
3. I Feel Your Loving Coming On
4. Barcarole (For the Death of Venice)
5. Alexander the Great
6. Keep on Trying
7. Back in the Old Routine
8. Heartbreaker
9. Carry Me Home
10. Goodbye (Is Not an Easy Word to Say)

Estilos:
Folk-Rock, Pop-Rock, Soft-Rock, Art-Rock.

Avaliação:***1/2

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Emerson, Lake & Palmer - Works Volume 1 (1977)

E eis que, ao fim de três anos de hiato, o trio Emerson, Lake & Palmer estava de regresso. O intervalo de tempo permitira aos músicos a composição de vários temas, na maior parte das vezes individualmente, situação que potenciou uma orientação musical mais dispersa. Na realidade, esta dispersão sonora fez com que cada elemento do grupo tivesse um lado do disco de vinil com o seu nome, estando a parte colectiva reservada para o último lado do álbum duplo. Intitulado Works Volume 1, o disco começava com os 18 minutos de Piano Concerto No. 1: uma composição de música clássica da autoria de Keith Emerson (teclas) e gravada com a orquestra filarmónica de Londres. A peça apresenta uma interessante fluidez e vários momentos onde Emerson, para além da reconhecida qualidade no piano, mostra apurado talento como orquestrador. Do lado de Greg Lake (voz, guitarra, baixa) chegam cinco baladas mornas de guitarra acústica, com toques orquestrais, ora agressivos ora mais contidos, e uma delas (C'est La Vie) com um solo de acordeão "parisiense" pelo meio. O lado do baterista Carl Palmer traz de novo alguma emoção ao disco, entre composições que se desdobram pela fusão, jazz, rock e funk, e onde, surpreendentemente, o talentoso músico é colocado algumas vezes fora de tempo devido à sua exagerada ambição. Na última parte do álbum aparece o grupo, declaradamente como um todo, a interpretar dois épicos. Primeiro, a interessante versão do tema de Aaron Copland, Fanfare for the Common Man, e depois a trabalhosa (segundo Emerson, Lake e o letrista Peter Sinfield) aventura marítima sobre piratas, Pirates. Após vários anos de pausa, a notícia de que os Emerson, Lake & Palmer iam voltar fez correr muita tinta, mas o confuso resultado acabou por deixar muito a desejar, espelhando alguma desorientação e falta de bom senso no grupo. Ainda assim, entre críticos e fãs decepcionados, o álbum atingiu posições de mediano relevo nas tabelas discográficas de alguns países.

Faixas:

Disco 1:

Keith Emerson
1. Piano Concerto No. 1
- First Movement: Allegro Giojoso
- Second Movement: Andante Molto Cantabile
- Third Movement: Toccata con Fuoco

Greg Lake
2. Lend Your Love to Me Tonight
3. C'est la Vie
4. Hallowed Be Thy Name
5. Nobody Loves You Like I Do
6. Closer to Believing

Disco 2:

Carl Palmer
1. Enemy God Dances with the Black Spirits
2. L.A. Nights
3. New Orleans
4. Two Part Invention in D Minor
5. Food for Your Soul
6. Tank

Emerson, Lake & Palmer
7. Fanfare for the Common Man
8. Pirates

Estilos:
Classical Music, Folk-Rock, Jazz-Fusion, Funk.

Avaliação:***1/2

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Jethro Tull - Songs From The Wood (1977)

Desde a sua formação que os Jethro Tull haviam atravessado várias mutações estilísticas, consagrando Ian Anderson (voz, flauta, guitarra) como um dos expoentes da criatividade da década de setenta. A decepção veio com o sexto álbum do grupo que, a par com o arrefecimento do entusiasmo à volta do rock progressivo, parecia estar a diminuir a carreira e a reputação dos Jethro Tull. Nesse momento, a banda fez uma mudança radical, quase que começando do zero. A experiência que Anderson tinha de viver em meios rurais, desde meados dos anos setenta, revelou-se essencial para esta ruptura, resultando numa nova e energética sonoridade folk e céltica. Materializada no disco Songs From The Wood, a música trazia de novo todos os elementos dos Jethro Tull ao topo da forma, e até acrescentava um novo músico - David Palmer (teclas) - amigo de longa data e frequentemente responsável pelos arranjos orquestrais. O disco começa com o tema que lhe dá título: uma dinâmica combinação de coros, guitarras, flauta, espectacular percussão, e melodias intrincadas. Jack In The Green evidencia a transformação da voz de Anderson (mais rouca e áspera) por entre uma movimentada base de guitarras acústicas, flauta e pandeireta. Tanto Cup Of Wonder como Hunting Girl elevam o ritmo do disco, mostrando frenéticas combinações entre John Evans (teclas) e David Palmer, algumas das mais belas sequências de Martin Barre (guitarra), as contagiosas passagens de flauta de Anderson, a solidez no baixo de John Glascock (baixo, voz), e a tremenda vivacidade e originalidade de Barriemore Barlow (bateria). Os imaginários muito evocativos com fantasia, lendas e a celebração de coisas simples, acrescentam um considerável apelo ao álbum. Ring Out, Soltice Bells, com os seus sinos, palmas e boa disposição, movimenta-se alegremente por ambientes quase natalícios. O charmoso épico Velvet Green inicia-se com uma mística entrada de sintetizador que evolui para uma fuga acompanhada por flauta, sintetizador e percussão, para mais tarde se multiplicar entre variados estilos e tempos. The Whistler espalha o divertimento com uma marcante melodia interpretada em flauta de madeira. O outro épico do disco, Pibroch (Cap in Hand), começa com distorcidas manifestações de Barre na guitarra eléctrica, para posteriormente entrar em terreno mais melancólico, marcado por uma espécie de swing que vai sendo interrompido por derivações rock e por elegantes secções de música clássica e folk. O ambiente nocturno de Fire at Midnight, com o seu interlúdio representativo do ambiente do álbum, conclui na perfeição esta misteriosa viagem pelos bosques. Na altura da edição do disco, os Jethro Tull voltaram a ser muito falados, conseguindo convencer críticos e fãs na sua nova direcção. De volta a lugares de destaque nas tabelas de vendas, o grupo via a sua inovação e arrojo reconhecidos.

Estilos:
British-Folk, Celtic-Rock, Folk-Rock, Progressive-Folk, World-Music, Art-Rock.

Avaliação:*****

domingo, 6 de Setembro de 2009

Pink Floyd - Animals (1977)

Com dois álbuns (Dark Side Of The Moon e Wish You Were Here) consecutivos a venderem milhões de exemplares por todo o mundo, palavras como "negócio" ou "interesse" faziam incontornavelmente parte do dia-a-dia dos Pink Floyd. E se o grupo precisava de inspiração sobre temas para escrever, o mais fácil foi olhar à sua volta. Animals, o álbum resultante, expôs a visão que o grupo, mais particularmente Rogers Waters (voz, baixo), tinha da sociedade. Com a excepção de Dogs, composta por Waters e David Gilmour (voz, guitarra), todos os temas foram escritos por Waters e, tanto Dogs como Sheep, eram versões total ou parcialmente transformadas de composições de 1974. O início da história dá-se com o tom romântico e negro com que Waters interpreta a pequena peça acústica Pigs On The Wing 1. Sem quaisquer vestígios de romantismo, surge o épico de 17 minutos, Dogs, onde Waters e Gilmour vão alternando no papel de voz que tece considerações negativas em relação à autodestruição de pessoas obcecadas em chegar ao poder. O surreal ambiente do tema conta com fantasmagóricas sequências de folk, rock e funk, distribuídas por passagens de guitarras acústicas e eléctricas, sintetizadores, e efeitos especiais. Pigs mantém o ataque e desta vez aponta mais alto - ao poder instituído - num tema onde Gilmour empresta características hard-rock com os seus riffs, Waters uma provocadora e expressiva perfomance vocal, Richard Wright interessantes passagens de piano e órgão, e Nick Mason (bateria) um eficaz "cow bell" na percussão. A gentil e elegante entrada de Wright no piano eléctrico, com ovelhas no fundo, apenas disfarça mais uma movimentada incursão musical que retrata a fragilidade das classes mais baixas. Nesta épica composição, rica em efeitos especiais e vozes distorcidas e assustadoras, há uma interessante inversão de papeis onde Waters assume a função de guitarrista e Gilmour a de baixista. Pigs On The Wing 2, a segunda parte do tema de abertura, parece trazer alguma esperança e luz, embora no meio de sombras. A metáfora de retratar a sociedade como cães, porcos e ovelhas, aparece parcialmente inspirada na obra literária intitulada Animal Farm (George Orwell), se bem que em Animals seja levada ao extremo pela dureza e secura das palavras, o pessimismo, e pelo aparentemente interminável conflito. Estas características faziam de Animals tão obscuro como hipnotizante. Aquando do lançamento do disco, o álbum foi bastante criticado, sendo considerado aborrecido e demasiado sombrio. Mas mesmo com o seu ambiente marcadamente negro e disperso, Animals conseguiu atingir lugares cimeiros das tabelas de vendas em vários países, demostrando o apelo popular dos Pink Floyd.

Faixas:
1. Pigs On The Wing 1
2. Dogs
3. Pigs (Three Different Ones)
4. Sheep
5. Pigs On The Wing 2

Estilos:
Art-Rock, Folk-Rock, Experimental.

Avaliação:*****

sábado, 5 de Setembro de 2009

Gentle Giant - Playing The Fool (1977)

À medida que a década de setenta se aproximava do fim, os Gentle Giant acumulavam experiência de palco e exibiam um sólido legado de música experimental, original e ecléctica. O álbum ao vivo Playing The Fool, lançado em 1977, encapsulava na perfeição a espectacularidade e dinamismo dos concertos. Percorrendo quase toda a discografia do grupo - Gentle Giant (Funny Ways), Three Friends (Peel the Paint), Octopus (Excerpts from Octopus), In A Glass House (Runaway, Experience), The Power And The Glory (Proclamation, So Sincere), Free Hand (On Reflection, Free Hand, Just the Same) e In'terview (I Lost My Head) - o álbum confirmou que a banda inglesa não só conseguia reproduzir a complexidade da sua música num espectáculo ao vivo, como também sabia fazê-lo com estilo. Desde a frescura dos novos arranjos dos temas, passando pelo contagioso sentido de humor, até à inegável e intrínseca musicalidade dos seus membros, os Gentle Giant imortalizaram-se como um dos mais interessantes grupos ao vivo. O som e ambiente dos espectáculos é captado categoricamente e bem audível nas explosivas batidas de John Weathers (bateria e percussão), na voz poderosa de Derek Shulman (voz, saxofone, flauta e percussão), nas elaboradas texturas de Kerry Minnear (teclas, violoncelo, vibrafone, flauta, percussão), nas propulsivas linhas de Ray Shulman (baixo, violino, trompete, flauta, percussão), e nas ambiciosas incursões sonoras de Gary Green (guitarras, flauta, percussão). Sendo um imaculado documento sobre o grupo, e apesar de Playing The Fool voltar a gerar algum murmúrio no circuito do rock progressivo, a queda da popularidade do género fez com que as vendas do álbum deixassem a desejar. Tais factos não devem retirar o mérito e a classificação de clássico ao vivo que merecem estar associados ao disco.

Faixas:
1. Just the Same
2. Proclamation
3. On Reflection
4. Excerpts from Octopus
5. Funny Ways
6. Runaway
7. Experience
8. So Sincere
9. Free Hand
10. Sweet Georgia Brown (Breakdown in Brussels)
11. Medley: Peel the Paint/I Lost My Head

Estilos:
Experimental, Prog-Rock, Art-Rock

Avaliação:*****

quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Genesis - Wind & Wuthering (1976)

O sucesso de A Trick Of The Tail, em 1976, aguçou a curiosidade à volta da digressão de suporte ao disco. Parecia consensual a ideia de que Phil Collins (voz, bateria) nunca conseguiria emular o carácter teatral e espectacular das prestações de Peter Gabriel com os Genesis. Na verdade, Collins parecia menos preocupado em vestir fatos e máscaras e mais empenhado em ganhar confiança como vocalista e "frontman", algo que os concertos puderam confirmar. Entretanto, poucos meses depois, o grupo voltou a entrar em estúdio para gravar Wind & Wuthering. O álbum dava alguma sequência às ideias de A Trick Of The Tail, acentuando o ambiente de fantasia e o romantismo. A dinâmica composição Eleventh Earl Of Mar desenrola-se entre esotéricas passagens de Tony Banks (teclas) e Steve Hackett (guitarra), com estrutura de épico que atravessa fases distintas e mostra o apurado sentido melódico da banda britânica. Ao tema de abertura segue-se outro épico, desta vez uma marcante composição, One For The Vine, da autoria de Banks, que alterna a precisa interpretação vocal de Collins com uma frenética secção intermédia instrumental onde o mesmo Collins volta a brilhar (desta vez nos mais variados estilos de percussão) ao lado dos floreados de Banks no piano. Your Own Special Way, cortesia de Mike Rutherford (baixo), mostra o grupo, talvez pela primeira vez, em território romântico, combinando um ambiente folk místico, construído com guitarra acústica e sintetizador, com um refrão assistido por licks country de Hackett na guitarra eléctrica. A irrequieta e foliona peça instrumental Wot Gorilla? abre caminho à narrativa All In A Mouse's Night: a interessante história de um rato que se aventura a sair do buraco. Blood On The Rooftops mostra Hackett em grande plano, numa elaborada introdução acústica a fazer lembrar Steve Howe (Yes), que prossegue com uma segura condução vocal de Collins ao lado dos longos acordes de mellotron que dominam o tema. O par de instrumentais que se fundem, Unquiet Slumbers For The Sleepers e ...In That Quiet Earth, apresentam um ambiente misterioso-fantasmagórico e movimentado-celebratório, respectivamente. Afterglow fecha o disco calma e elegantemente, com a voz de Collins, a guitarra de Hackett, e os sintetizadores de Banks subtilmente encaixados. Wind & Wuthering seria lançado em Inglaterra dois dias depois do Natal, onde atingiria o número 7 nas tabelas de vendas, mantendo inabalada a elevada popularidade do grupo.

Faixas:
1. Eleventh Earl Of Mar
2. One For The Vine
3. Your Own Special Way
4. Wot Gorilla?
5. All In A Mouse's Night
6. Blood On The Rooftops
7. Unquiet Slumbers For The Sleepers
8. ...In That Quiet Earth
9. Afterglow

Estilos:
Art-Rock, Folk-Rock, Symphonic-Rock, Prog-Rock.

Avaliação:*****

sábado, 29 de Agosto de 2009

Van der Graaf Generator - World Record (1976)

Desde a sua reunião, em 1975, que os Van der Graaf Generator alternavam as incessantes digressões com a gravação de discos. Em 1976 o grupo editava World Record, que seria o terceiro álbum em apenas dois anos. World Record apresentava a faceta mais acessível de sempre do grupo, carregando um imediatismo e uma agressividade algo atípicos na banda inglesa. Uma das novidades é a utilização proeminente da guitarra eléctrica por parte de Peter Hammill (voz, guitarra). Com guitarras, flautas, saxofones, órgão e voz, em apurada combinação, o intrigante tema de abertura, When She Comes, apresenta uma história de obsessão pelo sexo oposto. A agressividade e ataque frontal mantêm-se em A Place To Survive, onde as sólidas linhas de baixo e órgão (Hugh Banton), e provocadoras passagens de saxofone (David Jackson), se encontram com a aspereza vocal de Hammill. A elegantemente instrumentada balada a médio tempo Masks, apresenta Hammill no seu conhecido espaço existencialista. O épico Meurglys III, com os seus vinte minutos, assume óbvio destaque no álbum, se bem que nem sempre pelos melhores motivos. Embora o tema se vá desenrolando com a habitual excelência nos arranjos e composição dos Van der Graaf Generator, Meurglys III sofre demasiado na parte final, onde Hammill improvisa na guitarra eléctrica (cometendo vários erros) ao som de Guy Evans, Hugh Banton, e David Jackson, aborrecidos com o ritmo reggae. Wondering encerra o disco de forma incerta, entre a esperança e o desespero, com Hammill a cantar apaixonadamente, acompanhado pela mestria de Jackson no saxofone e Banton nas teclas. Embora a sabotagem que Meurglys III faz ao disco lhe retire alguma consistência, World Record surgia como mais uma prova da qualidade do quarteto. No entanto, na altura do seu lançamento, e apesar da boa recepção por parte da crítica, o álbum foi praticamente ignorado pelo mundo. Este facto só acentuou a crescente tensão entre os músicos e causaria uma nova debandada que se traduziu nas saídas de David Jackson e Hugh Banton, lançando novamente incerteza sobre o futuro dos Van der Graaf Generator.


Faixas:
1. When She Comes
2. A Place to Survive
3. Masks
4. Meurglys III (The Songwriter's Guild)
5. Wondering
(bonus)
6. When She Comes
7. Masks

Estilos:
Art-Rock, Pop-Rock, Jazz, Symphonic-Rock.

Avaliação:****1/2

domingo, 16 de Agosto de 2009

Strawbs - Deep Cuts (1976)

Em 1976, e em sintonia com muitas bandas do rock progressivo, os Strawbs haviam chegado a um impasse criativo. Com a moral afectada devido ao fracasso comercial de Nomadness, o grupo decidiu despender o maior tempo de sempre na gravação de um dos seus discos, através de sessões que começaram no início da Primavera e terminaram no fim do Verão. Uma das novidades do álbum é a parceria de composição estabelecida entre Dave Cousins e o baixista Chas Cronk, tendo os dois músicos composto a maior parte dos temas do disco juntos. O resultado de longo meses de trabalho, Deep Cuts, exibia um som muito menos musculado. O tema pop-rock que introduz o álbum, I Only Want My Love to Grow in You, com o seu título potencialmente ambíguo, é uma adequada imagem do romantismo pronunciado que abunda no disco. Na verdade, uma parte considerável do álbum sofre com o facto de as letras de Dave Cousins (voz, guitarra acústica) não carregarem a fantasia e excentricidade do costume. Os arranjos que acompanham os temas também estão longe do passado rico dos Strawbs. Entre baladas sentimentais como Hard Hard Winter, (Wasting My Time) Thinking of You, e So Close and Yet So Far Away, e a reciclagem de composições assentes em história narrativa (típicas do passado do grupo), Besides The Rio Grande, destaca-se o equilíbrio que o álbum atinge na sequência que começa em My Friend Peter e termina em Charmer. A ritmada My Friend Peter aborda a atribulada história de um empresário que comete o suicídio. The Soldiers' Tale é um dos raros momentos onde Dave Lambert (guitarra) mostra poderosos riffs e solos, acompanhando na perfeição o surreal ambiente do tema. Simple Visions mostra Cousins em terreno familiar, com uma eficaz prestação vocal sobre uma contagiosa melodia circular em tom de folk espiritual. A energia pop-rock de Charmer é intercalada por uma elegante ponte onde as vozes Cousins e Lambert encaixam elegantemente. Num álbum cheio de boas melodias é, no entanto, notório o prejuízo que a generalidade dos arranjos (e algumas letras) causa à qualidade de Deep Cuts. Esta aparente quebra de ambição e lucidez dos Strawbs seria ainda acompanhada por críticas medianas e fracas vendas.

Faixas:
1. I Only Want My Love to Grow in You
2. Turn Me Around
3. Hard, Hard Winter
4. My Friend Peter
5. Soldiers' Tale
6. Simple Visions
7. Charmer
8. (Wasting My Time) Thinking of You
9. Beside the Rio Grande
10. So Close and Yet So Far Away
(bonus)
11. You Won't See the Light

Estilos:
Pop-Rock, Folk-Rock, Soft-Rock, Art-Rock.

Avaliação:***1/2

sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

Gentle Giant - In'terview (1976)

A surpreendente boa recepção de Free Hand nos Estados Unidos parecia prometer colocar os Gentle Giant no mapa da música popular dos anos 70. No ano seguinte o grupo começou a trabalhar num disco que seguia uma temática ligeiramente baseada numa sessão de entrevista, e que se viria a chamar Interview. As pistas dadas em Free Hand sobre um certo cansaço com a vida na estrada voltam a emergir. No tema de abertura, Interview, o grupo vai citando algumas perguntas típicas de entrevistadores musicais - ao som de matemáticas sequências de piano e sintetizador de Kerry Minnear (voz, teclas) e exóticas passagens de cítara de Gary Green (guitarras). Give It Back, com os seus arranjos pautados e estridentes, aborda a questão das vendas do disco anterior de forma algo tensa. Design começa com um dinâmico coro de vozes que é complementado com espectaculares e variados efeitos de percussão à medida que o tema progride. As composições vão sendo intercaladas com rápidas perguntas e respostas (em volume tímido) como se de uma entrevista se tratasse. Em Another Show, Derek Shulman (voz) transmite com convicção as frustrações de um grupo após anos de concertos, num ambiente de ritmo complexo onde encaixam variadas texturas de sintetizador. Tanto a balada cruzada com rock a médio tempo, Empty City, como a algo confusa nos seus intentos, Timing, contribuem para o sentimento da alienação que paira no disco. Para o fim do álbum está guardada a encantadora I Lost My Head que começa com belas melodias de guitarra acústica e inspiração medieval, acompanhadas pela gentil voz de Minnear. A composição entra depois numa secção mais rock, com Derek a reclamar para si o estatuto de voz mais poderosa dos Gentle Giant. Embora o álbum voltasse a revelar grandes pormenores musicais deste inovador grupo britânico, em vários momentos espelhava a crescente instabilidade e desconforto no conjunto. Por consequência, as escassas vendas do disco transportaram o grupo novamente para o anonimato.

Faixas:
1. Interview
2. Give It Back
3. Design
4. Another Show
5. Empty City
6. Timing
7. I Lost My Head
(bonus)
8. Interview (live)

Estilos:
Progressive-Rock, Art-Rock, Experimental, Folk-Rock, Medieval-Rock.

Avaliação:***1/2

segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Jethro Tull - Too Old To Rock 'N' Roll: Too Young To Die! (1976)

Longe dos tempos onde eram um dos principais grupos do panorama musical, os Jethro Tull gravaram o álbum Too Old To Rock 'N' Roll: Too Young To Die!. Se Minstrel In The Gallery tinha sido um dos seus discos mais autobiográficos, "Too Old..." parecia acentuar essa tendência. A história do álbum gira em torno de um músico rock (retratado na capa e, curiosamente, bastante parecido com o vocalista dos Jethro Tull) que, a meio da sua carreira, vê a sua popularidade desvanecer. O disco abre timidamente com Quizz Kid, fazendo referência e prelúdio ao tema do título. Em Crazed Institution é notório o cinismo no retrato dos ciclos que caracterizam a instável plataforma de popularidade de um artista. A bonita Salamander, apesar de a sua entrada acústica lembrar imediatamente Cold Wind To Valhalla (do disco anterior), demonstra a habilidade de Ian Anderson (voz, guitarra acústica, flauta) neste tipo de composições. Das lamúrias de Bad-Eyed 'N' Loveless, às discretas explorações de blues e funk de Taxi Grab e Big Dipper, o álbum mostra a sua faceta mais desapontante sobre a forma de baladas. Tanto From a Dead Beat to an Old Greaser, como o tema que dá título ao disco, como Chequered Flag (Dead or Alive), estão totalmente em território de baladas nocturnas: piano eléctrico, arranjos orquestrais e vozes gentis. Apesar da qualidade das composições nunca estar abaixo do aceitável, o ambiente morno/baixo, bem como o pouco ambicioso e mal desenvolvido conceito do álbum, tornavam o disco numa pálida imagem da habitual vivacidade do excêntrico grupo britânico. O álbum acabou por não ser a melhor estreia para John Glascock, baixista que entrava para substituir o retirado Jeffrey Hammond, e que encontrava um grupo cansado e desinspirado. Mesmo que Ian Anderson tenha afirmado que Too Old To Rock 'N' Roll: Too Young To Die! não era de modo algum autobiográfico, os críticos aproveitaram a deixa (do título) para assinar por baixo. Os fãs, esses, ainda garantiram ao disco posições medianas em várias tabelas de discos mundiais.

Faixas:
1. Quizz Kid
2. Crazed Institution
3. Salamander
4. Taxi Grab
5. From a Dead Beat to an Old Greaser
6. Bad-Eyed 'N' Loveless
7. Big Dipper
8. Too Old to Rock 'N' Roll: Too Young to Die
9. Pied Piper
10. Chequered Flag (Dead or Alive)

Estilos:
Pop-Rock, Folk-Rock, Blues, Soft-Rock

Avaliação:***